A razão das nossas escolhas …

12/02/2026, 13:10:00 • Redação • Opinião
A razão das nossas escolhas …

Nos últimos dias, a aprovação de uma nova lei que aumenta o salário dos servidores públicos trouxe à tona uma contradição difícil de ignorar. Em um momento em que o próprio governo reconhece a urgência de cortar gastos, equilibrar as contas públicas e conter o avanço do déficit, decisões como essa soam, no mínimo, desconectadas da realidade enfrentada pelo país.

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É inegável que os servidores públicos exercem funções essenciais e merecem valorização. No entanto, o debate central não está apenas no mérito do aumento salarial, mas na urgência e no contexto em que ele ocorre. Quando hospitais carecem de recursos, escolas enfrentam dificuldades estruturais e programas sociais sofrem cortes, a ampliação de despesas permanentes levanta questionamentos legítimos sobre prioridades e responsabilidade fiscal.

A contradição se torna ainda mais evidente em um ano eleitoral. Historicamente, períodos de eleição tendem a ser marcados por decisões que buscam agradar setores específicos do eleitorado, muitas vezes em detrimento de um planejamento de longo prazo. O risco é transformar políticas públicas em instrumentos de conveniência política, transferindo o custo dessas escolhas para a população no futuro — seja por meio de mais impostos, seja pela redução de investimentos essenciais.

Nesse cenário, ganha ainda mais importância a escolha consciente de deputados estaduais e federais. São eles que discutem, propõem e aprovam leis que impactam diretamente a vida da população e o rumo das finanças públicas. Votar apenas por afinidade pessoal, promessas vazias ou benefícios imediatos enfraquece o papel do Legislativo como guardião do interesse coletivo.

As eleições deste ano representam uma oportunidade de refletir sobre o tipo de representação que desejamos. Deputados comprometidos com responsabilidade fiscal, transparência e planejamento são fundamentais para garantir que decisões tomadas hoje não comprometam o amanhã. Mais do que nunca, o voto precisa ser um ato de consciência — pensando no país como um todo, e não apenas em ganhos pontuais.

Erica Gregorio
Jornalista e socióloga
Escreve periodicamente em seu blog ericagregorio.com

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