Como é ficar inerte a tudo?!

31/05/2024, 12:18:43 • Redação • Opinião
Como é ficar inerte a tudo?!

Atualmente, “ficar sem fazer nada” é uma expressão que adquire novos contornos. Vivemos em uma era de constante bombardeio de informações, onde as redes sociais, plataformas de streaming e inúmeras outras formas de entretenimento digital se tornaram onipresentes. Essa abundância de conteúdo e a facilidade de acesso a ele mudou como percebemos o tempo livre.

WhatsApp — entre no grupo! Receba as notícias de Itu direto no celular. Entrar no grupo

Antigamente, “não fazer nada” podia significar um período de introspecção, relaxamento ou simplesmente estar em um estado de descanso sem atividades específicas. No entanto, com o advento da tecnologia e da internet, nossa definição de inatividade foi alterada. Hoje, passar horas nas redes sociais, assistindo a séries na Netflix ou rolando infinitamente por feeds de notícias é visto, muitas vezes, como “não fazer nada”. Mas isso é realmente estar inativo?

Quando estamos nas redes sociais ou assistindo a séries, nossa mente está longe de estar ociosa. Estamos constantemente consumindo informações, processando dados, reagindo a estímulos visuais e auditivos e, frequentemente, experimentando uma miríade de emoções. O cérebro está em atividade contínua, mesmo que o corpo esteja em repouso. Essa forma de consumo passivo, embora diferente de atividades produtivas tradicionais, não se encaixa exatamente na ideia de inatividade completa.

Além disso, existe uma pressão social implícita para estar sempre informado. A quantidade de informação disponível e a velocidade com que novas informações surgem criam uma sensação de urgência em acompanhar tudo. Esse fenômeno é muitas vezes chamado de FOMO (Fear Of Missing Out) ou medo de ficar por fora. Isso faz com que, mesmo quando “estamos fazendo nada”, sentimos a necessidade de nos manter atualizados, conectados e envolvidos de alguma forma com o que está acontecendo ao nosso redor.

Por isso, o verdadeiro descanso, aquele que realmente permite que a mente e o corpo se desliguem e recarreguem, pode ser mais difícil de alcançar. Estar sem fazer nada, no sentido mais puro da expressão, pode significar desconectar-se completamente das telas, permitir-se um tempo de reflexão, meditação, ou simplesmente observar o ambiente ao seu redor sem uma meta específica.

Em resumo, nos dias de hoje, “não fazer nada” enquanto se consome conteúdo digital não é o mesmo que estar inerte. Nossa constante exposição à informação e a necessidade de estar conectado mudaram a dinâmica do que significa descansar e estar sem fazer nada. Encontrar um equilíbrio saudável que permita verdadeiros momentos de inatividade e desconexão é um desafio importante nessa era digital.

Erica Gregorio, jornalista, socióloga, escreve periodicamente no seu blog ericagregorio.com

Veja também

Filhos como arma: o País que reconhece o vicaricídio também precisa revogar a Lei de Alienação Parental
Opinião 06/04/2026
Filhos como arma: o País que reconhece o vicaricídio também precisa revogar a Lei de Alienação Parental
lei do vicaricídio
ACESSAR
Fora da caridade não há salvação: o princípio essencial da transformação humana
Opinião 27/03/2026
Fora da caridade não há salvação: o princípio essencial da transformação humana
A frase “Fora da caridade não há salvação”, amplamente difundida por Allan Kardec codificador da Doutrina Espírita em O Evangelho
ACESSAR
Os limites da informação
Opinião 24/03/2026
Os limites da informação
Ultimamente, tem se tornado cada vez mais evidente uma transformação preocupante na forma como as notícias são produzidas e consumidas.
ACESSAR

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário