Nesta quinta-feira, 7, às 19h, o jornalista Eduardo Reina fará o lançamento de seu livro “Cativeiro sem Fim”, de Eduardo Reina, no auditório do Secom, em Itu. O repórter pesquisou durante mais de três anos sobre crianças e adolescentes que desapareceram na época da ditadura (1964-1985).
A entrada é gratuita e o evento é uma iniciativa da página O Igualitário. Haverá uma conversa com o autor e mais dois convidados: Adriano Diogo, que presidiu a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, e Helena Vetorazo, pesquisadora no Gepedisc (Grupo de estudos em diferenciação sócio-cultural) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O Secom fica na Rua 21 de Abril, 259.
As forças militares se apropriavam dessas vítimas, chamadas de “filhos de subversivos”, e Reina, depois de ampla investigação, descobriu 19 casos – 11 ligadas diretamente à Guerrilha do Araguaia e outras oito no Rio de Janeiro, em Pernambuco, no Paraná e no Mato Grosso. Confira abaixo entrevista com o autor ao Jornal de Itu.
Quando você descobriu que haviam esses sequestros?
Era um questionamento que sempre esteve na minha cabeça, durante anos de estudos sobre a ditadura brasileira: como é que era possível haver sequestro de bebês e crianças, filhos de opositores ao regime militar na Argentina, no Chile, no Uruguai, no Paraguai, na Bolívia e nunca se falou sobre a existência desse crime no Brasil? Ainda mais quando se saber que as forças militares que estiveram na presidência desses países todos sempre agiram de modo coordenado e conjunto. Então fui atrás dessa resposta, que infelizmente foi positiva.
Elaborei um projeto que teve como base o lançamento de um romance, portanto uma ficção. Mas que versava sobre esse mesmo tema: o sequestro de bebês e crianças filhos de militantes políticos, pro militares durante a ditadura no Brasil. O objetivo foi lançar luz sobre este assunto e despertar nas pessoas que possivelmente estivessem envolvidas nesses casos o interesse em falar.
A proposta deu certo e os casos começaram a surgir dois meses depois do lançamento desse livro chamado “Depois da rua Tutoia”, em abril de 2016.
Quanto tempo de investigação resultou neste livro?
Foram praticamente três anos de muita pesquisa, leitura e busca de informações que depois precisaram ser checadas e rechecadas. Percorri mais de 20 mil quilômetros pelo Brasil em busca dessas vítimas, seus familiares, documentos e outras informações que comprovassem a existências dessas pessoas e o crime de sequestro durante a ditadura.
Você conseguiu acesso a estas vítimas? Elas sabiam de suas condições?
O livro “Cativeiro sem fim” narra as histórias de 19 pessoas sequestradas durante as décadas de 1960 e 1970. Tenho depoimento de cinco vítimas e também de seus familiares e de familiares de outras vítimas que continuam desaparecidas.Sim, elas sabiam de suas condições. Algumas vivem hoje à procura de seus pais biológicos.
O Estado ou algum representante assumiu estes crimes?
Procurei o Ministério da Defesa, que indicou que Exército e Aeronáutica fosse procurados. Não comentaram sobre esses crimes.
Depois da publicação deste livro, você foi procurado por mais denunciantes?
Desde o lançamento do livro em abril deste ano fui procurado por mais 24 pessoas que também dizem ter sido vítimas desse tipo de crime. Mas é necessário que todos esses casos sejam apurados para comprovar a existência do crime.Trata-se de um dos piores crimes que se tem conhecimento no Brasil, praticado pelos militares. Um segredo que estava escondido dentro do segredo do que aconteceu durante a ditadura no Brasil.
Veja abaixo depoimento das vítimas:

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