Presidente do Secom fala sobre MP da Liberdade Econômica

24/08/2019, 16:49:15 • Redação • Economia/Negócios
Presidente do Secom fala sobre MP da Liberdade Econômica

Foi aprovada na noite de quarta-feira,  21, a Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica que, segundo o governo, irá diminuir a burocracia e facilitar a abertura de empresas, principalmente de micro e pequeno porte.

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A Medida foi bastante discutida pois o texto aprovado pela Câmara autorizava que a folga semanal de 24 horas do trabalhador fosse em outros dias da semana, desde que o empregado folgasse um em cada quatro domingos, mas o Senado acabou retirando esta parte do texto.

“Para o comércio já era permitido trabalhar no domingo, mas às vezes o que vemos é casos de lojas que não abrem, inicialmente, e depois querem abrir sem oferecer nenhum benefício a mais ao funcionário”, explica o presidente do Secom (Sindicato dos Empregados no Comércio de Itu), Luciano Ribeiro.

Ele acompanha a rotina de milhares de trabalhadores nas cidades de Itu, Indaiatuba Boituva, Cabreúva, Indaiatuba, Porto Feliz e Salto. Ele diz que ao contrário do que muitos apostam, a medida não irá trazer mais emprego, assim como aconteceu com a Reforma Trabalhista. “O que percebemos de mudança é que, antes da Reforma, havia mais rotatividade: um funcionário saia de uma loja para outra, e hoje em dia não: quando ele é demitido, ele realmente está desempregado e a realocação e mais difícil”, destaca.

Segundo ele, o maior risco para o trabalhador seria a respeito do feriado. “O perigo maior era feriado, não ia ter mais negociação como sindicato. Hoje a lei fala que para trabalhar em feriado tem que ter previsão de convenção coletiva. Então compensa para o funcionário, pois apesar de ele não ser obrigado, é vantajoso”. Esse ponto também foi retirado da MP.

 

Entenda as principais mudanças na MP

Registro de ponto

  • Registro dos horários de entrada e saída do trabalho passa a ser obrigatório somente para empresas com mais de 20 funcionários, contra mínimo de 10 empregados atualmente
  • Trabalho fora do estabelecimento deverá ser registrado
  • Permissão de registro de ponto por exceção, por meio do qual o trabalhador anota apenas os horários que não coincidam com os regulares. Prática deverá ser autorizada por meio de acordo individual ou coletivo

Alvará e licenças

  • Atividades de baixo risco, como a maioria dos pequenos comércios, não exigirão mais alvará de funcionamento
  • Poder Executivo definirá atividades de baixo risco na ausência de regras estaduais, distritais ou municipais
  • Governo federal comprometeu-se a editar decreto para esclarecer que dispensa de licenças para atividades de baixo risco não abrangerá questões ambientais

Fim do e-Social

  • O Sistema de Escrituração Digital de Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (e-Social), que unifica o envio de dados de trabalhadores e de empregadores, será substituído por um sistema mais simples, de informações digitais de obrigações previdenciárias e trabalhistas

Carteira de trabalho eletrônica

  • Emissão de novas carteiras de Trabalho pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia ocorrerá “preferencialmente” em meio eletrônico, com o número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) como identificação única do empregado. As carteiras continuarão a ser impressas em papel, apenas em caráter excepcional
  • A partir da admissão do trabalhador, os empregadores terão cinco dias úteis para fazer as anotações na Carteira de Trabalho. Após o registro dos dados, o trabalhador tem até 48 horas para ter acesso às informações inseridas.

Documentos públicos digitais

  • Documentos públicos digitalizados terão o mesmo valor jurídico e probatório do documento original

Abuso regulatório

A MP cria a figura do abuso regulatório, para impedir que o Poder Público edite regras que afetem a “exploração da atividade econômica” ou prejudiquem a concorrência. Entre as situações que configurem a prática estão:

  • Criação de reservas de mercado para favorecer um grupo econômico
  • Criação de barreiras à entrada de competidores nacionais ou estrangeiros em um mercado
  • Exigência de especificações técnicas desnecessárias para determinada atividade
  • Criação de demanda artificial ou forçada de produtos e serviços, inclusive “cartórios, registros ou cadastros”
  • Barreiras à livre formação de sociedades empresariais ou de atividades não proibidas por lei federal

Desconsideração da personalidade jurídica

  • Proibição de cobrança de bens de outra empresa do mesmo grupo econômico para saldar dívidas de uma empresa
  • Patrimônio de sócios, associados, instituidores ou administradores de uma empresa será separado do patrimônio da empresa em caso de falência ou execução de dívidas
  • Somente em casos de intenção clara de fraude, sócios poderão ter patrimônio pessoal usado para indenizações

Negócios jurídicos

  • Partes de um negócio poderão definir livremente a interpretação de acordo entre eles, mesmo que diferentes das regras previstas em lei

Súmulas tributárias

  • Comitê do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Receita Federal (Carf) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) terá poder para editar súmulas para vincular os atos normativos dos dois órgãos

Fundos de investimento

  • MP define regras para o registro, a elaboração de regulamentos e os pedidos de insolvência de fundos de investimentos

Extinção do Fundo Soberano

  • Fim do Fundo Soberano, antiga poupança formada com parte do superávit primário de 2008, que está zerado desde maio de 2018

(Com informações da Agência Brasil)

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