Quem está por trás do Jornal de Itu?

26/08/2018, 22:06:12 • Redação • Especial

Hoje acordei no susto, sai correndo de casa às 6h da manhã, e quando cheguei em frente à fábrica em chamas eu percebi que minha camisa estava ao avesso. No meio dessa confusão, encontrei um rapaz alto e simpático, que reconheci como leitor do Jornal de Itu.

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– Sou do Jornal de Itu.

– Ah, eu sei. Quem está por trás do Jornal de Itu?

(…)

Essa pergunta, assim, na lata, no meio da rua, em meio à fumaça dessa madrugada fria, me inspirou para este texto, hoje, dia 26 de agosto, quando completamos 4 meses no ar.

Acho que é hora de responder esta pergunta: quem está por trás do Jornal de Itu?

– é uma menina que nasceu e cresceu em uma casa muito humilde – um barraco talvez -, cheia de baratas e ratos, e quando chovia a água invadia as vidraças quebradas e a grande preocupação é que a água não molhasse seus livros e cadernos;

– é uma adolescente que foi alfabetizada por sua mãe, pois seu  pai nunca a matriculou na escola pois mulher “não precisava estudar”. Isso só aconteceu quando, com 15 anos, ela mesma foi até a escola e se matriculou;

– é uma moça que saiu no dia 6 de fevereiro de 1992, com 16 anos, da casa de seus pais, e foi morar sozinha, trabalhando de doméstica, para conseguir continuar seus estudos;

– é uma sonhadora que um dia resolveu se matricular em uma faculdade, e ouviu que não tinha dinheiro para isso. “Quem você pensa que é?”; que deixou de tomar uma cerveja no bar pois senão faltaria para pagar a mensalidade no fim do mês; e faltou. E muitas vezes faltou comida também;

– é uma trabalhadora que trocou a estabilidade de um trabalho seguro pela aventura de um estágio em outra cidade, para ganhar metade do que ganhava;

– é uma portadora de Síndrome do Pânico que enfrentava o trânsito de São Paulo porque quando ela chegava na USP a menina das vidraças quebradas estava lá, a sua espera;

–  é uma jornalista que ficou desempregada diversas vezes em 16 anos de profissão, e sempre ouviu: “mas você só quer jornalismo mesmo?”, como se sobreviver dessa profissão fosse um luxo;

– é uma sobrevivente neste meio profissional onde tantos bons ficam pelo caminho e tantos medíocres avançam;

– é uma esposa, que tem um marido parceiro que tem que entender essa vida louca sem horário para nada e pouca remuneração; é uma mãe que tem que contar também com a colaboração de duas criaturinhas quando a mãe está no computador e não escuta de pronto os chamados incessantes “mãeeeeeeeeee”; é uma filha que ainda pode contar com a sua mãe para cuidar dos netos enquanto ela cuida do site;

– é uma pessoa que tem a sorte de ter muitos bons colegas e amigos que colaboram, enviam pautas, fotos, etc.

– é alguém que ainda conserva um pouco da inocência dos recém-formados de achar que pode fazer alguma diferença no mundo com o seu trabalho; mas que também hoje tem que somar a isso um microempreendedorismo que exige uma garra excepcional – tem dias que parece impossível – mas daí eu lembro da minha trajetória até aqui e lembro de quantos impossíveis eu já realizei!

Quem está por trás do Jornal de Itu sou eu, uma jornalista com CNPJ e MTB. Prazer. Obrigada por ter lido até aqui. Obrigada por fazer parte da realização desse sonho: um fazer jornalístico que não envolve nenhuma “laranja”, apenas “abacaxis”…rs

Acessem, leiam, compartilhem ! Ajudem o jornalismo ético e sério da sua cidade ou região.

 

Rosana Bueno

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