Velhos, com a alma jovem…

31/12/2025, 11:39:40 • Redação • Opinião
Velhos, com a alma jovem…

Esses dias, estava sem muito o que fazer e fui me olhar no espelho. Então me dei conta de uma coisa que eu já sabia que estava acontecendo, mas até então, não quis pensar muito nessa constatação.

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Eu estava ficando careca.

Olhei um pouco mais atentamente para meu rosto, e não percebi aquela cútis lisinha que há bem pouco tempo me proporcionava um barbear rápido, sem precisar esticar a pele das bochechas. Agora, a pele estava um pouco mais flácida, e de vez em quando, parece que estou com o rosto um pouco caído.

Também percebi uma pequena papadinha abaixo do queixo, a orelha parece que cresceu um pouquinho e quando faço uma expressão de espanto, minha testa se enche de rugas.

Com tantas observações de meu rosto e também outras partes do corpo, como uma barriguinha bem saliente, e uma pequena curvatura na coluna (se bem que isso, acredito que tenho desde criança), não dá mais para disfarçar a condição que me afeta e que não disfarço, mas também ainda estou tentando me acostumar:

Estou envelhecendo.

Contudo, e por incrível que pareça, não me sinto envelhecer. Estou me vendo ficar velho, com todas essas constatações, porém, meu sentimento é de que tenho vários anos a menos do que realmente tenho.

Depois penso: mas o que é a idade?

Não faz muito sentido essa contagem de anos, que determina quando é a hora da gente se sentir velho. Tenho uma coleção de primaveras em minha existência, mas minha concepção de mim mesmo, é de que ainda tenho muito o que fazer, muito o que conhecer, aprender, desfrutar, viver…

Não me vejo envelhecer, a não ser quando me olho no espelho. No trabalho, na rua, com amigos, ou qualquer lugar, minha alma é jovem, minha idade mental é jovem, mesmo que eu tenha uma vivência maior, o que me proporciona uma certa cautela nas ações, uma certa experiência antes de uma decisão, o que um jovem, muitas das vezes, não tem.

No trabalho, na rua, com amigos ou qualquer lugar, sou cabeludo, cútis lisinha, barriga mais ou menos definida e coluna ereta (ainda que sou um pouco curvado desde criança), e é assim que me sinto, enquanto não penso em mim mesmo como havia me visto no espelho.

E é assim mesmo que todos devem se ver, se sentir e viver. Não se entregar à idade como se isso determinasse o momento em que o viver deve ter limites, como se a idade te ordenasse o momento de se entregar a uma condição de velho.

Aproveite cada momento, sinta-se mais jovem, se dê valor, procure cuidar da saúde, se exercitar, curtir a família, os amigos e principalmente, não deixe o espelho te desanimar, tenha orgulho daquela imagem refletida, tenha orgulho de quem você é.

Desejo a todos um feliz 2026, com muita paz e saúde, e também, muitos e muitos outros felizes anos novos, para ficarmos cada mais velhos, com a alma cada vez mais jovem.

Rodrigo Alves de Carvalho, Jornalista, escritor e poeta

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